quarta-feira, 5 de junho de 2013

Sentir a música da vida
Existem momentos, raros até, em que sinto uma alegria despretensiosa, um orgulho de ser quem sou, de estar onde estou, que vem não sei de onde, e sei que não é privilégio só meu. Por mais difícil que se apresenta a situação de cada um, enquanto houver um respiro, ainda há uma esperança, vontades, sonhos, nem que seja que pare de chover para a roupa secar no varal. Esse sentimento comunga com uma criatividade, vontade de criar, qualquer coisa que seja; escrever, maquiar, caminhar, plantar ou ouvir música requebrando como uma diva ou movimentando como um tenor. Esse delírio tão repentino e silencioso chega talvez pela posição dos astros, por excesso de algum hormônio louco ou depois de um bom e reparador cochilo. Quando lemos um bom livro ou ouvimos uma música do cantor preferido, pode se desencadear uma euforia interna, uma gana de aprender, ver, sentir, absorver. Quando essa sensação surgir dentro de você, respire fundo, sinta-a sem medo e sem nenhuma obrigação ou ansiedade de concretizar as pretensões, não se assuste se a dança ficar esquisita ou a música desafinar. O mais importante já aconteceu; o coração pulsou mais forte, você se sentiu mais vivo, mais vibrante e livre. A vida vale a pena simplesmente por esses momentos. Se um sorriso de crianças te estimular, um animal te surpreender, uma flor te emocionar, você é brilhante, tem sangue quente nas veias, tem juventude na alma e magia no coração e é capaz de derreter e reverter qualquer frieza que insistir em te rodear. Citando Saul Brandalise Jr.: “A depressão nada mais é do que viver em um estado de realidade virtual. Somos no momento, o que não queremos ser. O lamentável é tomamos decisão neste estado de energia. Obviamente que iremos colher infelicidade.” Portanto, prolongue seus momentos de prazer, relaxamento, criação, adoração e contemplação.

sexta-feira, 30 de março de 2012

Enxergar com o coração


No dia que você ver que não sabe nada, que o que sabia já não te serve mais, que você enxergar que há muito mais a enxergar. Que existe um mundo a experimentar, a saborear, a sofrer e a lamentar. Verá que estes lamentos são experiências e aprendizados. O que se tem a frente é o novo, pronto para ser inaugurado com uma vontade voraz e ingênua.
Você vê que a vida apresenta um começo todo dia, que insistimos em viver do mesmo modo; com os velhos hábitos, expectativas e resultados.
Quanta tolice querer repetir o velho, velhos erros e acertos. Tudo se cria e se transforma na sua frente e você insiste em ver o mesmo, rejeitando um possível sucesso por medo, asco, raiva, preguiça ou costume.
No dia em que você ver que o oferecido é mais amplo do que se imagina, que há mais para escolher, suas opções se multiplicam, janelas se abrem para fora e para dentro. Você passa a ver a luz que está em tudo. E viver será uma deliciosa aventura.
Para isso há que se permitir, ultrapassar a linha do comodismo, do comum. Experimente um diferente sabor de sorvete. Um perfume adocicado pode surpreender. Lavar os cabelos no dia em que não lavaria é gostoso. Caminhar na rua sem alguma pretensão, só por andar e ver as pessoas é louco. Dar atenção àquela pessoa que você dá voltas e ouvir o que ela tem a dizer, pelo menos uma vez, faz bem ao coração. Cumprir com a promessa de uma criança; a minha última foi pintar uma banana de azul, é recompensador. Ouvir diferentes estilos de música num mesmo dia. Dormir fora de hora, sair da rotina, perder a noção do tempo por alguns instantes. Questionar sobre a existência de óvnis, sacis, duendes, políticos corretos, homens românticos. Quem sabe eles existam.
Você pode notar que existe muito mais do que sua mente concebe, um mundo de possibilidades aparece na sua frente. E vê que as limitações são internas e não questão de limites de território ou de condições externas. É temeroso, assustador, e lindo, libertário, surpreendente, novo. E mais adjetivos que você quiser enxergar e dar.