sábado, 15 de janeiro de 2011

Lavar roupas




Minha mais curiosa distração torta tem sido lavar roupas. Não tinha essa obrigação e hábito, agora sou eu quem limpo minhas vestes. E este virou um momento reflexivo, como se os outros não fossem. Mas considero essa atividade como algo que me concentra de forma diferente, talvez pela falta de costume.
Separar as roupas pelas cores e texturas é engraçado. Decidir quais vão para o tanquinho, quais precisam de maiores cuidados, por não agüentarem “o trato” da máquina, por serem mais delicadas. Enquanto outras precisam sentir a força do braço e da escova. Parecem pessoas ou situações. Sinto-me um pouco Deus; escolhendo como serão tratadas. O sentimento é de poder e não posso perder essa oportunidade de destinar, escolher, dar o melhor para cada segunda pele minha. Porque cuido delas para que me protejam e me aqueçam. E cuido para que durem mais e para que me embelezem. E se elas se juntam sujas no cesto, incomoda-me o sentimento de desleixo, falta de tempo para refazer o ritual, incomoda-me vê-las amassadas e suadas só me aguardando para serem limpas. E ao final ganham um banho de sol merecido, antes de se amontoarem no armário e depois desfilarem nas ruas como se fosse a primeira vez.