terça-feira, 22 de setembro de 2009

Tempo Perdido




Tempo perdido

O apelo do mundo é de que não percamos tempo, não paremos para pensar; e nem para respirar. Numa sociedade em que tempo é dinheiro, virou sinônimo de burrice não tentar levar vantagem das situações. Somos estimulados a aproveitar cada minuto da vida para instruir-nos, enriquecer-nos, para adquirir uma melhor forma física. Mas esquecemos que qualidade de vida também requer tempo para relaxar, dormir, olhar com calma para as coisas, ouvir o seu corpo, o que realmente ele está precisando; uma busca desenfreada por progresso ou uma boa noite de sono? Somos levados a questionar sobre o verdadeiro significado de evolução.
Estamos sendo metralhados por cobranças sociais; de que temos que ser cultos, malhados, ricos, bonitos, sedutores, informados, bem colocados na sociedade, bem sucedidos profissionalmente a todo e qualquer custo. Talvez se ouvíssemos nossa própria vontade, veríamos que nem seria isso que sonhamos para nós. Conheço gente que sonha em largar tudo para morar no campo, mas não consegue realizá-lo por vergonha e questões sociais.
Às vezes esse “não parar” pode velar verdades sobre si, que a correria e o barulho as mantêm escondidas. Olhar as pessoas com os olhos da alma pede tempo também, senão se corre o risco de olharmos errados, com preconceitos e julgamentos injustos.
O tempo passa cada vez mais rápido? A sensação é essa mesmo. Mas qual cientista, engenheiro ou mágico conseguiu a proeza de fazer o relógio do mundo disparar, diminuir os segundos das horas ou fazer o sol se pôr mais cedo? Nada disso aconteceu. Nosso relógio não encontra espaço para estar em dois lugares ao mesmo tempo, nem criamos mais braços parar fazer mais do que podemos. A memória só guarda aquilo que vemos com atenção, que nos concentramos e não só de ouvirmos falar.
Às vezes seria necessário perdermos tempo, para ganharmos “tempo” de qualidade, saúde, sentido de vida. O melhor tempo é o agora, a hora mais propícia para usar aquela roupa nova é a que você quiser, para amar então, todas as horas são perfeitas. Esperar é perda de tempo, se nunca se encontra a hora certa. Agir, fazer, correr é perda de tempo se o objeto ou a intenção do realizar não faz sentido algum ao coração.
Talvez se usássemos os nossos sentidos e ouvíssemos com atenção um canto de pássaro, e aprendêssemos com ele alguma coisa sobre tempo, sobre voar, cantar e construir ninhos. Se víssemos além do enxergar a lentidão do andar de um idoso, acreditaríamos que correr não adianta muito. Se respirássemos com a intensidade da respiração de uma criança, sentiríamos a pureza do ar e a importância de oxigenar bem o cérebro. Tudo isso é tão simples, mas a pressa não deixa acontecer. Aceite sua lentidão. Faça as pazes com seu organismo e o que ele precisa. Compactue com seu tempo. Seja amigo de suas necessidades e não faça delas obstáculos para a realização de futilidades mundanas.

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